CHORA DE BACALHAU



Foi-me pedido há dias a receita para a Chora de Bacalhau, um prato que teve origem a bordo dos barcos da frota bacalhoeira, nos mares do norte, que por várias gerações empregaram a maioria dos homens destas terras.

A Chora mais não é do que uma sopa, que era servida aos pescadores, depois do trabalho árduo de pescar, escalar e salgar o bacalhau recolhido diariamente.

Devido à escassez de alimentos frescos, nomeadamente vegetais, a chora era geralmente feita apenas com arroz ou massa e caras de bacalhau. Enquanto duravam os mantimentos levados de terra, adicionavam-lhe toucinho ou chouriço, que estrugiam no fundo do tacho.

Porquê as caras? Porque o peixe era para vender e a companha comia o que tinha menos valor comercial. Por esse motivo, as caras, as línguas, as espinhas e os sames de bacalhau conquistaram o seu lugar na Gastronomia Portuguesa. Porque os pescadores aprenderam a usá-los na mais variadas receitas, quando mais ninguém os queria.

A receita que vos deixo hoje é uma versão mais rica da tradicional Chora dos Bacalhoeiros, porque dou-vos a hipótese de usarem Bacalhau, em vez das humildes caras, que hoje em dia pouca gente aprecia. No entanto, afirmo que as caras, quando convenientemente salgadas e cozinhadas, são um pitéu de fazer água na boca a qualquer um.


Ingredientes e preparação:

Num tacho fundo, leve a estrugir duas cebolas grandes picadas, seis dentes de alho e três folhas de louro, num fio abundante de azeite e uma colher de banha de porco.

Junte um naco de toucinho de porco salgado, cortado em cubos e meio chouriço de boa qualidade, também em cubos (quanto mais pequenos melhor).

Depois de bem alourado, sem queimar, junte 1/2 colher das de chá de pimenta, e a mesma medida de sal, uma chávena de calda de tomate e um copo de vinho branco.

Deixe ferver durante cinco minutos e acrescente de três a cinco litros de água a ferver, dependendo do tamanho do tacho e da quantidade de sopa pretendida.

De seguida coloque o bacalhau desfiado ou cortado em cubos (200 gramas por pessoa) e deixe ferver até cozinhar, tendo em atenção que o peixe não necessita mais do que dez minutos a ferver.

Com uma espumadeira, retire o peixe e coloque a massa no tacho (recomendo os cotovelos miúdos).

Quando estiver "al dente", junte de novo o peixe, rectifique os temperos, salpique com salsa ou coentros picados e oregãos secos.

Leve à mesa no mesmo tacho ou numa terrina funda e sirva com pão torrado, cortado em cubos, no fundo dos pratos.

Nota: Nesta foto podem ver que foi também usado algum miolo de mariscos, mas isso é opcional e não tem nada a ver com a origem da receita, por isso entendi não valia a pena mencioná-lo no modo de preparação.

Bom apetite!

Francisco Vieira

6 comentários:

  1. Francisco muito obrigado mesmo pela receita...Es um amor..
    Thank you sooooo much, can't wait to try it...
    Vou tambem entregar a receita a minha mae..

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  2. Natalina, sempre as ordens :-)

    Cumprimentos aos teus pais também

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  3. ANTONIOsilva17/1/11

    b0m dia:sou da torreira tambem fui bacalhoeiro portanto comi <>mas a melhor era a feita de Alabout.. nao sei se conheces esse peixe..segundo a lenda .quem comece <>nao saia da pesca do bacalhau ..eu sai por outros motivos mas se nao tivesse saido ja teria terminado a faina .do jeito que a pesca esta se es afilhado do ERNESTO fomos colegas em algumas viagens <>espero que o negocio te corra bem para poder visitar a tua casa da ria quando for a portugal UM ABRACO

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  4. António, acredito que sim. Não conhecia a Chora de Alabote, peixe que conheço bem e que aprecio. Sim, sou afilhado do Ernesto, mas por afinidade. Não percebi onde se encontra, mas obrigado pela dica e tudo a correr pelo melhor, onde quer que seja.

    Abracos

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  5. Parece óptimo, mas duvido que se coma mais alguma coisa...

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  6. João, boa tarde. É realmente uma refeição :-)

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Obrigado pela visita. Este espaço é seu. Use e abuse, mas com respeito, principalmente por quem nos lê. Francisco