NÃO SEI DAS TUAS MÃOS


Fizeste-te casa para me abrigar
paredes feitas de coragem.

Cresci nesse castelo – muralha
regaço de palavras e ternura.

Teus olhos, janelas de me ver
a brincar p´las ruas do destino
menino-homem sempre irrequieto.

A boca prenhe de ladainhas
rezava-me ao ouvido a sua fé
e eu dormitava em segredo
nas tuas mãos abertas
buscando perder-me nos sonhos proibidos.

Hoje não sei das tuas mãos.
Não sei me velas. Fechaste a janela
ou rodeias-me ainda, disfarçada
nos raios de sol,
na aragem da ramaria,
no arrulhar das rolas
ou nos versos que finjo inventar?

Hoje sou eu a casa
que me ensinaste a construir.
Sou alicerce. Escada. Janela. Telhado.

Sou eu que rezo a saudade.
A partida sem bagagem.
O silêncio da gare deserta.

Depois fecho a porta,
apago as luzes,
percorro as salas vazias,
recordo a alegria de te ter
e aguardo o reencontro prometido,
mãe.

Francisco José Rito



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