MORREM DE DOR, AS MÃOS QUE MATAM POR AMOR

Amanhecem secas, esvaídas,
as mãos que matam por amor.
A alvorada transporta-as para
as memórias das coisas não vividas.
Acres momentos, prenhes de sentidos,
salpicados de fel e de limão.
Morrem todos os dias
as mãos que matam por amor.
Mãos cruéis, carrascas, ímpias,
que pregam na cruz sorrisos cristalinos
e os sepultam algures, em terra agreste,
onde as lágrimas do sol não acalentam,
nem os olhares humedecem os retratos
que jazem, sem choro, sem velas e sem flores.
Morrem de dor,
as mãos que matam por amor.
Morrem lúcidas. Agonizam,
sabendo bem do que morrem.
Castigam-se, amputam-se,
asfixiam, enroladas no silêncio
dos quartos fechados,
das paredes nuas, das camas vazias.
Morrem de dor,
as mãos que matam por amor.
Morrem de amor,
talhadas pela dor que plantaram.
Francisco José Rito



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