HOJE NASCEU-ME UM AMIGO

Chamo-lhe amigo,
porque me abriu a janela da alma
e me deixou espreitar lá para dentro,
para os confins de um infinito
ansioso por gritar
os sentidos que o habitam.

Chamo-lhe amigo,
porque me deu a ler
as palavras que não disse,
como quem serve o melhor manjar,
agachado em púcara de cobre
para que não arrefeça,
enquanto lhe apreciamos as cores
e desvendamos os cheiros.

Hoje nasceu-me um amigo.
Há tanto tempo que eu não permitia
que me nascesse um amigo!
Os amigos precisam de tempo
e tempo é coisa que me tem sido escasso...

Os amigos nascem-nos pelos olhos.
Namora-se um olhar,
com o cuidado e a discrição
de quem observa a coisa amada.
Com a gentileza do colo de uma mãe.

Hoje nasceu-me um amigo.
E foi-se, com a mesma subtileza que o trouxe.
Despediu-se sem abraços.
Declarou-se sem palavras.
Prometeu-se, sem promessas.

Francisco José Rito




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