RETRATO
A nada pertences por inteiro
és sopro em trânsito
vestígio dissolvido
no labor paciente do tempo
refém dos vãos errantes do caminho
onde te escondes do mundo que garimpas
e a quem te dás, aberto em pétalas.
Teu corpo — proa de carnes calejadas
o que sobrou das noites madrugadas
ou a saudade do que não ousaste ter.
Memórias de um rio
onde as marés vazaram sem regresso
e a centelha do instante incendiado
se perpetuou nas margens.
Francisco José Rito

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