CILÍCIO


O lençol da noite

a cobrir o roxo dos corpos

pisados de rolar nas tábuas do chão


o luto caído pelo quarto

nas mãos o fogo da carne

nos olhos a frieza do veludo puído

na boca o gemido de mil coitos adiados


e o êxtase

molhos de goivos e cravos

prantos de vento em surdina

incenso, água de rosas, morfina

um Cristo crucificado

velas acesas, repicar de sinos

sussurros, promessas, delírio


o dia amanhecido

a pele rasgada pelo castigo

o pecado sem confissão

o sorriso.


Francisco José Rito




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